Há muito tempo não posto nada e o fato é que não consegui ainda achar um conteúdo que me seja interessante o bastante que me faça querer postá-lo. Aconteceram muitas coisas esses 2 últimos anos em minha vida que me fizeram prendem a respiração e me segurar em algo que talvez não havia segurança ou há coisas desprendidas. E foi isso que fiz. Fiquei segurando sem ter nada ao que me segurar. Muitas vezes pensei que eu realmente surtaria, outras eu achei que me curaria completamente. Em 365 dias e mais alguns eu contei nos dedos os dias em que dormi bem e acabei descobrindo que em apenas uma noite tive um sono tranquilo e renovador. Então associei isso ao fato de ter mudado minha cama de posição e que agora conseguiria dormir bem. Mas me equivoquei ao achar que teria mais noites tranquilas. Tem sempre algo me incomodando: um barulhinho aqui, outro ali. O silêncio. O vento. A chuva. A luz da lua. A escuridão. Ouvir música. Não ouvir música (o que é estranho porque deixo os fones desligados nos ouvidos por longos períodos de tempo). Partindo do preceito que estou de fato incomodada, posso verdadeiramente e por definitivo que tal incômodo se instalou após a morte da minha avó (clique aqui para ler tudo sobre). Isso desde que ela partiu.
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Ainda me pergunto se em meio a toda essa insanidade sobra um lapso de lucidez ou se no meio de toda lucidez eu vivo de insanidade. Não há nada mais corrosivo do que a morte de quem você ama e, mesmo com o passar do tempo, mais corrosivo fica. Nada ameniza, nada alegra e nada nos da paz. Aquela paz de espírito que sentimos quando nossa alma mesmo em um corpo, repousa livremente com leveza. Há mais de um ano, quando minha avó ainda estava no mundo das criaturas e não do Criador, eu já sentia um medo extremo de perdê-la pois ela precisaria fazer uma cirurgia arriscada (o caso dela, vítima de inúmeras patologias como insuficiência cardíaca, insuficiência renal, má circulação e hemorragia dentre outras) de retirada do útero devido a hemorragia incessante, eu já ficava em estado de alerta. Ouso dizer que desde esse sangramento eu nunca tive uma boa noite de sono, e, hoje em dia, ainda não tenho. Mas o medo é algo assustador e causa sentimentos assustadores e você precisa enfrentá-lo.
Então quando minha doce Maria subiu aos céus e foi repousar junto ao Criador e aos que Ele vela, o medo ainda persistiu um tempo. Mas foi tomado pelo tormento, pelo desassossego e pela dissociação de onde me encontro no tempo e espaço. Esses oito meses de luto tem sido os piores meses da minha vida. Nada se compara a perder alguém. Nada justifica o vazio e nada explica o porque de quando uma família mais precisa estar unida, ela se desintegra em pedaços. É provável que eu me sinta perdida e sem paz por um longo tempo. É provável que a dor de ver uma vida ir embora na sua frente e não ter nada o que fazer prevaleça pela minha vida. Mas eu honro a tudo que estou sentindo: o luto, a dor, o medo, a saudade, o frio, a falta de apoio de familiares, o fundo do poço, a fome, a falta dela,minha insanidade e minha lucidez.
Somente em dois lugares me sinto em paz, me sinto segura, neste, onde jaz todos que na terra habitam e dormem o sono da paz a espera da promessa de ressurreição e dentro de um abraço, do abraço mais aconchegante do mundo...
Levei um tempo considerável para poder postar. Eu não tinha muito o que dizer. Eu perdi minha avó.
Ela acabou falecendo, eu havia postado um comunicado (AQUI) sobre os motivos do meu afastamento.
Ela acabou falecendo, eu havia postado um comunicado (AQUI) sobre os motivos do meu afastamento.
Sobre Sara Ribeiro
Nascida em Barbacena - MG, é formada em Direito (Ciências Sociais e Jurídicas) pela Universidade Presidente Antônio Carlos - UNIPAC, possuindo o título de Bacharela em Direito. Advogada atuante na área cível e trabalhista, tem um imenso apreço por Direito do Consumidor. Leitora assídua de romances e afins, escritora nas horas vagas e apaixonada por cultura pop. Acredita que todas as pessoas são iguais não apenas perante à lei, também, fronte a Deus.